Dirceu acredita em palanque único em Goiás

08/08/2009 por rafael
07.08.2009 - 10:40
Para ex-ministro, aliança PT-PMDB está consolidada e cabe a Lula, a partir do dia 13, papel de trazer o PP de Alcides

A presença do petista José Dirceu em Goiás, na noite de ontem, antecipou, a uma semana da visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao Estado, o projeto de consolidação de palanque único nas próximas eleições, que acomode PMDB, PT e PP na disputa pelo governo estadual. O ex-ministro-chefe da Casa Civil não escondeu a intenção política de sua viagem e reforçou a tese de que a aliança entre peemedebistas e petistas na Capital ganhará apoio da máquina estadual na corrida rumo ao Palácio Pedro Ludovico. “Nosso objetivo é vencer em Goiás”, assegurou, após expor a relação cada vez mais estreita entre o presidente Lula e o governador Alcides Rodrigues (PP), a quem se referiu como “parte da aliança”.

Em Goiânia, para participar de debate sobre conjuntura política nacional com militantes do PT na Assembleia Legislativa, Dirceu utiliza a viagem para costurar a aliança que ditará os rumos do embate em 2010. Ao desembarcar em solo goiano, às 18 horas (40 minutos após o horário previsto), antes de se dirigir à Assembleia Legislativa, o petista seguiu direto para o gabinete do prefeito Iris Rezende (PMDB), com quem conversou, a portas fechadas, por cerca de uma hora. Mais do que uma visita de cortesia, a reunião representou um novo passo em direção à formação do bloco que fará frente ao PSDB na sucessão estadual, que tem como pré-candidato o senador Marconi Perillo.

“Conversamos sobre o futuro de Goiás e fiquei muito feliz ao ouvir de Iris tudo que já foi feito por Goiânia. É uma plataforma fantástica, o prefeito tem história para ser, novamente, governador de Goiás”, disse Dirceu, oferecendo sinais de qual seria a estratégia do governo Lula no Estado. Segundo ele, aliança entre PT, PMDB e PP é o “ideal” a ser buscado e os esforços têm se concentrado nesta meta. A parceria dos sonhos, porém, ainda encontra maior amparo no lado peemedebista do projeto. O compromisso com PMDB, garante o petista, é prioritário.

A adesão de Alcides aos planos deve ganhar fôlego na próxima quinta-feira (13), quando Lula vem a Goiás e, entre inaugurações de obras e discurso em praça pública, retoma negociações com o pepista e Iris. De acordo com Dirceu, ainda não há nomes definidos e “o próprio Iris não se anunciou candidato”. A atenção que o governo federal tem dispensado ao governador, acima de tudo no compromisso de buscar em conjunto a adimplência da Celg, foi apontada como evidência da boa relação que caminha para parceria política. Dirceu afirmou que ele mesmo tem sido um dos interlocutores do governo com o governador. Abordagem mais direta referente ao próximo pleito, entretanto, acontecerá hoje, em audiência que o ex-ministro tem com Alcides no Palácio das Esmeraldas, pela manhã. “Teremos a primeira conversa política”, informou Dirceu.

Meirelles

Possível entrave na aliança entre PT, PMDB e PP, a candidatura do presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, ao governo estadual foi considerada “indefinida” por José Dirceu. Meirelles tem articulado com a cúpula pepista postulação ao governo estadual, o que iria na contramão da eventual candidatura de Iris Rezende.

De acordo com Dirceu, a melhor solução passa, necessariamente, pelas mãos do presidente Lula e deve ser definida nos próximos meses. A filiação de Meirelles até setembro a algum partido dará os primeiros sinais da estratégia traçada por Lula, que pode inclusive solicitar o presidente do BC na disputa nacional. “Se ele (Meirelles) se filiar ao PMDB, torna-se um ‘vice-presidenciável’, caso se filie a outro partido, se será candidato ao governo ou ao Senado, depende. Melhor perguntar ao Lula.”

Dirceu descartou possibilidade de Meirelles ser candidato à presidência, ao ser questionado sobre estado de saúde frágil da pré-candidata do governo, ministra Dilma Rousseff. “Não há possibilidade de candidatura alternativa. Nunca houve plano B.”

Até o momento, Meirelles afirmou que só tomará decisão sobre futuro político em março, quando poderá deixar o comando do Banco Central – pelo menos foi o que ele disse em encontro no Senado. Quanto à filiação, além do PP, o PTB e o próprio PMDB disputam sua assinatura na ficha.

Hoje, Dirceu toma café com o governador às 8 horas, no Palácio das Esmeraldas, e em seguida reúne-se com o prefeito de Aparecida de Goiânia, Maguito Vilela (PMDB). Pela tarde, viaja a Anápolis para se encontrar com o prefeito Antônio Gomide (PT).

Iris diz que projeto pepista só existirá junto à base lulista

Ainda escorregadio quando o assunto é candidatura ao governo estadual em 2010, o prefeito de Goiânia, Iris Rezende (PMDB), voltou a dizer, após receber em seu gabinete o ex-ministro-chefe da Casa Civil José Dirceu (PT), que ainda não é hora de anunciar se deixa a prefeitura. Entusiasmado, porém, com a visita de Dirceu e com os esforços do petista em concretizar aliança da base lulista em Goiás, disparou: “O projeto do governador Alcides (Rodrigues, do PP) perante seu partido não existirá contra o projeto do PMDB e do PT”, afirmou, ontem à noite, no Paço Municipal.

A afirmação foi feita após Iris ser indagado sobre sua declaração, há cerca de um mês, de que aliança com PP seria remota. Diante do esforço do presidente Lula em unir prefeito e governador no mesmo palanque, o peemedebista parece olhar com novos olhos para a possibilidade de parceria. “Não me surpreenderá, no futuro, se estivermos juntos num embate.”


Segundo Iris, a conversa com Dirceu, que foi reservada e durou aproximadamente uma hora, tocou em pontos da política nacional e local, mas não em nomes. O prefeito classificou como “gentileza” o fato de Dirceu tê-lo mencionado como nome de prestígio para governar Goiás. Ao finalizar, realçou o vigor do projeto que pretende unir esforços da base de Lula contra seu principal adversário, o senador Marconi Perillo (PSDB), que aspira voltar a governar o Estado. “Apenas posso dizer que a eleição para governador de Goiás no próximo ano vai ser a mais sensacional de toda a história de Goiás e do Brasil.”

‘Lula não tem preferido em Goiás’ Olavo Noleto

08/08/2009 por rafael

Sexta-feira, 31 de Julho de 2009

Entrevista
‘Lula não tem preferido em Goiás’ Olavo Noleto
Subchefe-adjunto de Assuntos Federativos da Presidência da República, Olavo Noleto (PT), acompanha de perto as ações do Governo Federal, em Brasília, mas não desvia a atenção da política goiana. Preocupado com a formação de um palanque forte em Goiás, para a postulação da ministra Dilma Rousseff, o petista busca ampla aliança com as siglas que compõem a base lulista no Estado. Durante a entrevista, na terça, 28, Noleto falou das expectativas em relação à vinda do presidente Lula e da esperança no crescimento do PT, que segundo ele, “terá outro grau de protagonismo nessas eleições”.

Aline Mil, Anapaula Hoekveld, Bruno Hermano, Elizeth Araújo e Márcia Barbosa


Tribuna do Planalto - Qual a expectativa do sr. em relação a vinda do presidente Lula com o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, no dia 13?
Olavo Noleto - Do ponto de vista institucional, é uma agenda de inauguração de obras, provavelmente visita às obras da Ferrovia Norte-Sul. Do ponto de vista político do governo, é uma sinalização clara do presidente de que o fechamento da estratégia para as eleições de 2010, no que diz respeito a Goiás, vai ser feito junto com os aliados aqui no Estado. Ele quer construir com os aliados essa melhor estratégia. Ela não existe ainda. Do ponto de vista do PT, o partido se mobiliza nessa eleição diferente do que se mobilizou em outras eleições, o PT se propõe a jogar o grande jogo, independente de colocar candidato ou não. Mas ele se propõe a ajudar a articular o campo aliado do presidente Lula em nível nacional aqui em Goiás, ou seja, com outro nivel de protagonismo. Então acho que essas três coisas estão colocadas aí na vinda do presidente no dia 13.

O PMDB tenta mostrar que o Iris é o preferido do presidente Lula e por outro lado o Meirelles não sinaliza. Como é que fica essa história?
Nós queremos que todos continuem buscando mostrar que são os preferidos do presidente Lula. Do ponto de vista da coordenação política do governo, existe a intenção muito forte, muita clara de aproximação com todo o campo aliado, mas em especial de aproximação com o PMDB. Do ponto de vista do PT existe uma articulação para trazer o campo aliado do presidente Lula, incluindo o campo que está hoje na antiga base Alcides/Marconi. Quer dizer, vamos querer uma parte desse campo aqui jogando esse jogo com a gente, para disputar o governo do Estado e montar um palanque para a ministra Dilma.

Então, Lula não tem um preferido em Goiás?
Não. Se houver mais de uma chapa de aliados do presidente Lula em qualquer estado, ele vai apoiar as duas. Se forem três, as três. Em nenhum lugar ele vai decidir qual é o candidato preferido. Essa discussão não existe pela candidata ou pelo presidente Lula.

Então, a candidatura do Meirelles somada a outra candidatura da base do presidente Lula serviria para enfraquecer a oposição ao eixo lulista?
Eu prefiro não falar em tirar forças de ninguém. Nós queremos fortalecer um projeto nacional e nossos aliados. Aquela velha política do bem e do mal, situação e oposição, tem que ser abolida. A nós interessa a discussão de projetos nacionais e de desenvolvimento do Estado. Queremos saber quem topa jogar esse jogo com a gente. Nesse momento, por exemplo, nós queremos muito que o bloco ligado ao governador Alcides caminhe com a gente.

A prioridade é esse projeto nacional encabeçado pela ministra Dilma Rousseff?
Prioridade absoluta. Em nome desse projeto nacional nós vamos discutir com todos os estados.

A definição do Lula vai depender primeiro das bases?
O presidente vem junto, não é daqui pra lá ou de lá pra cá. Nós já conversamos muito com todos e vamos continuar conversando. Temos que ver algumas questões, por exemplo: o bloco do governador Alcides conseguiria hoje apoiar um candidato do PMDB? O PMDB conseguiria apoiar um candidato indicado por esse bloco do PP? O PT poderia lançar um nome para governador? Ou o PT apoiaria um candidato com o PMDB ou apoiaria um candidato desse bloco com o PP, da base do governador Alcides, não tendo o senador Marconi? São componentes dessa engenharia. Interessa-nos ao final desse processo de negociação chegar a um resultado que consolide esse campo inteiro com a gente. Agora, o formato vai ser construído junto com esses aliados.

O PT sente uma disposição real do governador Alcides em levar o que vocês chamam de bloco dele para a base do Lula?
Da nossa parte, nós demos todos os sinais de que queremos eles junto com a gente. Eu estou falando isso por esse último processo de desgaste interno entre a base do governador envolvendo o PSDB. Eu acho que não foi nada leal, nada elegante com o governador o que foi feito.

Esse conflito PP x PSDB ajuda na aproximação entre o partido do governador e o PT?
Com certeza. Agora, se isso vai virar uma aliança política para 2010 é algo que nós estamos trabalhando. O processo de ruptura deles é algo em que a gente evita entrar. Mas, é iminente. A imprensa cobre e a gente faz o diálogo político com todos eles, inclusive com a oposição. No caso do PP, nós dizemos claramente que nos interessa a aliança com eles. Estamos juntos em nível nacional, queremos caminhar juntos aqui.

Em nome do projeto nacional, o PT considera a hipótese de haver duas chapas lulistas?
Nós não podemos descartar essa hipótese. Podemos ter um cenário com três chapas de aliados do presidente Lula? Podemos. Ou então uma chapa encabeçada pelo PT? Essa hipótese não está descartada. Podemos ter uma chapa de PMDB e aliados. Podemos ter PP e aliados, podemos ter o Henrique Meirelles nessa chapa. Ou então ter o Meirelles na chapa do PMDB e aliados. O destino do Henrique não está definido. Agora, Essa decisão não é nossa, mas dos aliados aqui. Nós apoiamos uma decisão que venha a ser gestada por esses aliados e que fortaleça o palanque da Dilma.


Hoje o PT em Goiás está dividido, porque uma ala defende o Meirelles, outra o Iris e há ainda a que defende o Rubens Otoni. O PT vai unido para as eleições?

Do PT acho que eu conheço um bocado porque eu nasci nele. O PT vai unido nessa eleição, e isso não é um problema. E a questão não é se vai de Iris ou de Henrique. A questão é de qual é a melhor estratégia. O PT não é anexo ao projeto de ninguém. Ele não está fechado a priori com ninguém. O PT tem a sua estratégia. E nessa sua estratégia ele quer montar o melhor palanque para Dilma. Então, o PT pode vir a ser aliado do PP? Pode. É muito provável. Mas isso não está definido. Pelo contrário. Nesse momento o PT está fazendo encontros regionais apresentando um pré-candidato que já existe que já está colocado na mesa que é o deputado federal Rubens Otoni. O PT tem um projeto, tem candidato, mas vai sentar-se à mesa como gente grande e quer ajudar a construir um acordo.

E a ligação que existe hoje com o PMDB na capital? O PT pode assumir a prefeitura.
Isso é importante e vai ter peso também na discussão que o PT vai fazer. Mas, você não começa a discussão por aí. Você começa a discussão por aquilo que é melhor para o projeto nacional.

Isso não prende o PT?
De forma alguma. E o prefeito Iris Rezende sabe disso porque o PT tem sido leal com o prefeito no trato tanto com as questões da prefeitura quanto com as questões relativas às eleições de 2010.

Nessa matemática, o PT está fazendo as contas se os votos não vão ficar pulverizados em duas ou três chapas lulistas em Goiás? Do ponto de vista estratégico, o que é melhor?
Tem uma visão que entende que se forem lançadas três chapas ao governo do Estado, nós podemos forçar um segundo turno. Tem uma visão que se você consegue lançar um candidato com todo mundo apoiando, você cria um volume de campanha que cria um impacto imaginário coletivo, cria um impacto na sociedade e que pode criar as condições dessa candidatura unificada crescer e ganhar as eleições. São visões muito diferentes. Nesse momento, o modus operandi da coordenação política do governo para todos os estados é buscar uma candidatura unificada. Agora, se num determinado estado as forças aliadas colocam um cenário dizendo que o melhor cenário lá não é candidatura unificada, são duas ou três candidaturas, nós não vamos impor estratégia.

O PT não tem medo de perder a representatividade nos estados, abrindo mão de candidaturas estaduais?

Bom, a melhor resposta para isso é a necessidade da reforma política. O PT tem muito claro que o projeto de mudança que significou o governo Lula, e que significará a continuidade dele através de um presidente ou de uma presidente eleita, é a grande garantia de que para sociedade brasileira o PT existe e é uma referência política e de projeto nacional. Se a gente ganhar 20 governos de estado e perder a presidência da republica é uma perda. Nós queremos continuar conduzindo o rumo do país, da economia, da sociedade, das relações, do caráter republicano, das relações institucionais, do modo social, da integração das políticas, de poder pensar no estado de Goiás daqui 20 anos.

Mas, ter a presidência da república sem representatividade no Congresso ou nos Estados dificulta muito.
Concordo. Só que isso não vai acontecer. Nós vamos crescer a bancada no Congresso.Vamos manter ou aumentar o número de governadores. E aí vem a perspectiva real. Hoje, nós temos 20 governadores aliados. Se nós continuarmos com esse índice para o próximo governo está bom. Isso dá sustentação ao nosso projeto nacional. Mas nós queremos aumentar a nossa presença na Câmara e no Senado. O PT mais forte no Congresso é melhor para o projeto nacional e é melhor para o país.

Esse apoio insistente do presidente Lula ao senador José Sarney (PMDB) não combina com esse viés ideológico. Como o partido está vendo e convivendo com essa questão?
É um erro grave fazer da crise do Senado uma crise do Sarney. A oposição quer discutir para valer? Então proponha renúncia coletiva. Para nós, não é ideológico. O que está em disputa é a governabilidade de uma instituição importante, que é o senado, e a repercussão disso para as eleições em 2010. Porque, se fosse uma questão ideológica, nos teríamos que fazer agora a aprovação da reforma política. Nós temos claro o que queremos de reforma política, mas isso não passa no Congresso Nacional. A crise do Senado, para nós, não é uma crise do Sarney. E nós não concordamos que ele pague esse preço sozinho. Estamos topando pagar juntos. Estamos tendo o desgaste juntos. O senado inteiro tem de pagar esse preço. O universo político inteiro tem de pagar esse preço. A sociedade exige isso. Por que nós não aproveitamos essa crise para propor reformas mais profundas?

Como o sr. vê a estratégia do PMDB de ficar dividido? Uma parte fica com o PT e outra com o PSDB. Como o sr. analisa essa tática?
Existem três questões. Primeiro, que o PMDB é uma confederação de partidos regionais, tem uma complexidade, tem uma história. O PMDB é um patrimônio da história da política nacional, do MDB, é nós temos que respeitar isso. Só para exemplificar: nós temos o problema do PMDB com o PT no Pará. Na Bahia, no Rio Grande do Sul e em Minas. Em São Paulo. Todos estados importantes para um roteiro, para uma agenda das eleições em 2010. É importante para nós acompanhar de perto esses problemas e não  deixar que isso exploda ou tenha repercussão nacional. Porque, o que nos interessa é o PMDB na chapa de 2010 apoiando a ministra Dilma. Segunda questão: o PMDB nunca apoiou 100% um candidato. Nem o candidato deles, quando era Ulysses Guimarães. Nós achamos que vamos ter o maior apoio do PMDB que uma candidatura já teve. Estamos trabalhando para ter perto de 100% do PMDB nos apoiando.  O jogo não está fechado. Estamos jogando um jogo de gente grande.

Como responsável pela área federativa, os prefeitos tem reclamado muito que fecham-se os convênios mas o dinheiro demora para chegar nos cofres da prefeituras. O que tem sido feito para resolver esse problema?
Primeiro: os prefeitos, nesse ano de crise, tiveram um impacto no FPM e nós criamos uma solução de reposição daquilo que eles perderam. Fazemos a conta da perda do que foi perdido no mês anterior e depositamos.

Então esse dinheiro está chegando?
Está na conta do Banco do Brasil. Não tem assinatura de convênio. Não tem nada. Foi criada uma conta especial só para receber esse dinheiro. Chega no município e o prefeito tem total acesso.

E as reclamações sobre o INSS?
Quando propusemos a MP 457, nós criamos as condições para que os prefeitos parcelassem suas dívidas. Mas há prefeitos que queriam que fizéssemos anistia. Não vamos fazer porque essa dívida não é da União. Essa dívida é com os trabalhadores brasileiros e isso é inegociável. Então, nós parcelamos em 20 anos, quebramos cláusulas que dificultavam a vida deles como a parcela mínima de 1,5% da receita corrente líquida do município que deixava a parcela muito alta, em alguns municípios, e o presidente anunciou, na Marcha dos Prefeitos a possibilidade de fazer um encontro de contas. Se a prefeitura tem um crédito junto ao INSS, ou seja, se a previdência deve à prefeitura, ela pode abater essa dívida daquela dívida que a prefeitura ainda tem de pagar. Desde que seja uma dívida de previdência da prefeitura com previdência nacional. Se fosse outro crédito, nós estaríamos fazendo um abatimento da dívida da prefeitura que não é do INSS e estaríamos desviando o dinheiro que iria para os trabalhadores. Nós resolvemos isso com um decreto do presidente que foi assinado na marcha.

‘Vamos entregar um mundo de obras do PAC no Estado’

E o PAC em Goiás?
Goiás vai levar R$25 bilhões do PAC. Com um detalhe: a execução, de boa parte dessas obras, é feita via estados e via prefeituras. No caso do saneamento e da habitação, nós estamos falando de uma fortuna de recursos. Várias prefeituras não deram conta de contratar o Finis [Fundo Nacional de Interesse Social], porque não deram conta de enviar um projeto de lei para as câmaras municipais regulamentando a criação de um fundo de habitação para o município. O que revelou, para nós, no ano passado, a necessidade de um trabalho junto às associações municipalistas nacionais e estaduais que nós chamamos de Agenda Nacional de Gestão de Apoio aos Municípios. Com ela vieram cartilhas, cursos de capacitação, a criação da figura do Gerente Municipal de Convênios que o prefeito indica e nós vamos capacitá-lo via Caixa Econômica Federal. Nós chegamos à conclusão de que, além de todos os recursos que nós estamos colocando no PAC, no “Minha Casa, Minha Vida” e no Finis, nós precisamos pegar na mão das pequenas prefeituras e abrir uma agenda de apoio à gestão delas.

A principal reivindicação dos municípios é um novo pacto federativo. O sr. acha que a União vai ter coragem de dividir esse volume todo?
Um novo pacto federativo está acontecendo. Nesses seis anos do governo do presidente Lula, as prefeituras já chegaram em 19% do bolo tributário. Antes era 13%. E nós queremos ir além, passar para o passo dois, que é a regulamentação do artigo 23 da Constituição, que trata das responsabilidades compartilhadas.   Os governadores de todo o país não tinham instância de diálogo com o governo federal. Nós criamos isso. Só existe federalismo aonde existe cooperação federativa. Nós precisamos desse passo dois. Essa é a reforma que queremos.

Por que algumas obras do PAC não saem do papel?
Nós passamos dois anos negociando com governadores e prefeitos, projetos, criando e aprovando projetos. Aí vem licença ambiental, titularidade do terreno da obra e tramitação disso na Caixa Econômica. Mas essa burocracia foi criada porque, antigamente, o uso de dinheiro público para desenvolvimento regional saía pelo ralo e nós, oposição, governo e etc, criamos regras rígidas para que o dinheiro público seguisse um ritual e diminuisse a vazão pela corrupção.

A burocracia  é necessária?
Muito. Só que ela pode ser mais inteligente. Porém, a falta de projetos era o problema número um do PAC. Nós vencemos isso. Hoje 80% dos projetos já estão andando e já estão em execução. O problema dois: a legislação, que foi feita para frear o avanço do homem sobre o meio ambiente e sobre o dinheiro público. E o terceiro problema: quando muitos governadores e prefeitos apresentaram seus projetos, eles eram lindos e maravilhosos, tinham licença, licitação e nós os aprovamos. Depois de aprovado, surgiam mudanças. Não era exatamente aquilo, tinha de aprovar mudanças, as licenças ainda não haviam chegado de fato, declaração da propriedade do terreno demorou a chegar e etc. Muitos casos assim. Sem contar nos projetos em que o TCU embargou a obra, mandou cancelar as licitações e tudo o mais. Tudo isso foi dificultador no andamento do PAC. Nós estamos vencendo tudo isso e vamos entregar um mundo de obras que aí eu tenho de dizer: como nunca antes na história desse país. Nunca se falou num volume de obras como esse.

Todo tipo de obras?
Falo de obras estruturantes. A Ferrovia Norte-Sul é um sonho de 20 anos. A história do estado de Goiás vai ser dividida em antes e depois da Ferrovia. Isso vai significar o desenvolvimento do Estado, capacidade de escoamento de produção e interligação dos seus mercados com mercados do mundo inteiro. E o trecho até Anápolis acaba agora. E ainda há a abertura do próximo trecho. Isso muda a perspectiva da economia goiana na disputa da economia mundial. Para nós, o PAC é um sucesso. É vencedor e muda paradigmas. Tem dificuldades? Claro, nós estamos enfrentando muitas. Quando formos lançar o PAC II, porque vamos lançar, nós já vamos ter várias melhorias. Fizemos mudanças que já garantem mais agilidade às obras. Em algumas, é possível ganhar até dois anos.

E o PT Goiano, vai crescer nessa eleição?
O PT goiano está jogando o jogo que eu considero correto. Buscar protagonismo na organização da base do presidente Lula e na engenharia das chapas dos partidos que formarão a base que defenderá a candidatura da Dilma Rousseff.

O sr. vai ser candidato?
Terminantemente, não.

E Rubens Otoni, é forte o suficiente para encarar Iris e Marconi?
O candidato do PT vai ter uma importância muito grande na eleição. A última candidatura do PT em Goiás, que foi da Marina Sant’Anna em 2002, teve 15% dos votos. Isso é o ponto de partida, hoje, para uma candidatura nossa. Naquela época, Marina teve o dobro dos votos que o PT tinha antes. Nós não vamos ter menos que o dobro dos votos que o PT teve em 2002. O PT ajuda a definir qualquer eleição em Goiás hoje. Será fundamental para decidir a eleição. Agora, vamos jogar o grande jogo, com lealdade, tranqüilidade, sabendo que não somos o pólo de disputa de poder no Estado. Não vamos fingir de doido.

O PT é um partido grande na capital, mas o que falta para o PT crescer no interior?
Temos uma estrutura fundiária muito forte e um histórico de coronelismo e isso se repete em outros locais no Brasil. O PT de Goiás vai experimentar um pulo de aprovação e de apoio popular nessa eleição que é o fruto da mudança que aconteceu no Brasil. A população tinha medo do PT em Goiás. Só que essa população é governada agora pelo PT, do presidente Lula e deixou de olhar a gente como bicho-papão, comedor de criancinha.

Na última semana, a deputada Raquel Teixeira (PSDB) afirmou em entrevista à Tribuna que o relacionamento do presidente Lula com o Congresso é de “compra de apoio declarada” e disse ainda que o presidente não tem visão de futuro, porque investe mais em programas sociais que em Educação e por isso pode deixar uma herança maldita. O que o sr. pensa disso?
É uma posição difícil para o PSDB. Não posso ser prepotente nem esnobe. Essa estrutura política que aí está advém das estruturas oligárquicas do passado, que eles não romperam quando governaram por oito anos e aprovaram a reeleição. Quem se lembra da aprovação da reeleição sabe que foi uma vergonha para a história da política brasileira. Nós queremos e vamos tocar o projeto nacional. Se é este o Congresso que está aí, é com ele que vamos governar. Segundo: o que é pensar no futuro? Reestruturamos a economia do país. Temos R$ 200 bilhões em caixa, somos credores do FMI, o Brasil participa do G-14, a população tem acesso a bens que não tinha antes, está consumindo. Geramos em um mês mais empregos do que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso gerava em um ano, e isso em ano de crise. O que é pensar no futuro? Quero entender o PSDB. Não entendo. Na Educação, um operário analfabeto terá construído em oito anos de mandato mais escolas técnicas federais do que todos os presidentes da república, mais que Dom Pedro I que fez a primeira Escola Técnica brasileira. O que é pensar em futuro? Reconhecemos que o PSDB colocou crianças na escola. Mas isso não basta. Queremos escola com qualidade e por isso criamos o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB). Estamos aferindo o Ideb de todas as escolas do Brasil e avaliando se elas evoluíram ou não. Chamamos os 1800 municípios com os piores Idebs do Brasil e estamos perguntando aos prefeitos porque eles não possuem projetos no MEC. Dizemos: “queremos ajudá-lo a construir um projeto e um plano para a Educação em dez anos., vamos ajudá-lo a fazer uma revolução na educação em seu município, vamos assinar um contrato”. O prefeito assina o contrato e vamos para lá, com equipe de consultores, para acompanhar durante todo o mandato dele a gestão da educação. Para mim, isso é pensar no futuro. A deputada e o PSDB têm a legitimidade de defender o seu governo e fazer as críticas ao governo ao qual são oposição. Mas a agenda deles está com vício, porque o nosso governo está muito melhor que o deles.a

Os rios correm para Dilma

08/08/2009 por rafael

Danin Jr.

Os rios correm para Dilma

Estratégia de Lula de dar prioridade à eleição presidencial começa a surtir efeito nas paróquias regionais

Edi­to­ri­al do Jor­nal Op­ção, pu­bli­ca­do no dia 7 de ju­nho, saiu bem à fren­te da mí­dia lo­cal e na­ci­o­nal ao ex­pli­ci­tar uma te­se que se en­con­tra­va sus­pen­sa nos bas­ti­do­res de Bra­sí­lia, mas à es­pe­ra de uma sín­te­se es­cla­re­ce­do­ra. O pre­si­den­te Lu­la da Sil­va tra­çou uma tá­ti­ca ou­sa­da pa­ra man­ter o seu gru­po no po­der a par­tir de 2010. Es­sa es­tra­té­gia lu­lis­ta se­ria apli­ca­da em três ob­je­ti­vos di­fe­ren­ci­a­dos pe­lo seu grau de pri­o­ri­da­de. O pri­mei­ro pas­so, con­si­de­ra­do pri­mor­di­al, se­ria ga­ran­tir a elei­ção de sua mi­nis­tra-can­di­da­ta, Dil­ma Rous­seff. Em se­gui­da, o lu­lis­mo pro­cu­ra­ria ob­ter uma mai­o­ria con­for­tá­vel no Se­na­do, em bus­ca da tal go­ver­na­bi­li­da­de. E, fi­nal­men­te, a ter­cei­ra me­ta (e me­nos pri­o­ri­tá­ria) ele­ger go­ver­na­do­res.

Na se­gun­da-fei­ra, 13 de ju­lho (pra­ti­ca­men­te um mês de­pois), o jor­nal “Va­lor” abriu sua pá­gi­na 8 com a mes­ma aná­li­se. É pro­vá­vel que não se tra­te de uma có­pia, mas ape­nas um pe­que­no atra­so, por par­te do jor­nal pau­lis­ta, na ava­li­a­ção do ce­ná­rio ha­bil­men­te ma­ni­pu­la­do por Lu­la com seus ali­a­dos. A te­se do pre­si­den­te é mui­to ra­ci­o­nal. Ele e seu gru­po con­clu­í­ram (acer­ta­da­men­te) que man­ter o go­ver­no fe­de­ral sig­ni­fi­ca man­dar nos Es­ta­dos. A Uni­ão con­cen­tra po­der de­mais no Bra­sil, se­gu­ran­do em su­as mãos a mai­or par­te dos re­cur­sos fis­cais e su­fo­can­do as uni­da­des fe­de­ra­ti­vas. Quem man­da em Bra­sí­lia aca­ba man­dan­do de al­gu­ma for­ma nos Es­ta­dos. Por is­so, o prin­ci­pal pro­je­to de Lu­la é fa­zer o seu su­ces­sor, mes­mo que, pa­ra is­so, se­ja ne­ces­sá­rio sa­cri­fi­car o co­man­do di­re­to dos Es­ta­dos. As­sim, en­tre­gar as elei­ções de go­ver­na­do­res a par­ti­dos que dão sus­ten­ta­ção ao pro­je­to na­ci­o­nal, re­ti­ran­do a pri­ma­zia do PT (on­de a si­gla não é fa­vo­ri­ta), é uma li­ção de es­per­te­za po­lí­ti­ca.

Nos úl­ti­mos di­as, es­sa es­tra­té­gia de Lu­la tem se tor­na­do mais evi­den­te, ga­nhan­do no­vas nu­an­ces. Uma des­sas no­vi­da­des de en­fo­que é a pul­ve­ri­za­ção dos pa­lan­ques ali­a­dos. No Rio de Ja­nei­ro, por exem­plo, há um si­nal cla­ro de que o co­man­do da can­di­da­tu­ra de Dil­ma pre­fe­re não se des­gas­tar com os par­ti­dos ami­gos. Em vez de tra­ba­lhar pa­ra for­ta­le­cer o ali­a­do que se­ria pre­fe­ren­ci­al, o PMDB do go­ver­na­dor Sér­gio Ca­bral (can­di­da­tís­si­mo à re­e­lei­ção), o lu­lis­mo deu si­nal ver­de pa­ra que o PR (do mi­nis­tro Al­fre­do Nas­ci­men­to) en­gros­se a pré-can­di­da­tu­ra de Ga­ro­ti­nho. É a te­se de que dois pa­lan­ques pro­du­zi­rão mais vo­tos pa­ra Dil­ma. Se dois é bom, três po­de ser me­lhor ain­da: a pro­pos­ta da pul­ve­ri­za­ção é a úni­ca de chan­ce que o PT flu­mi­nen­se tem pa­ra vi­a­bi­li­zar uma can­di­da­tu­ra no Es­ta­do do Rio atu­al­men­te — o pre­fei­to de No­va Igua­çu, Lindberg Fa­rias de­ve ser o in­di­ca­do pe­lo par­ti­do.

Es­sa aná­li­se é do ex-pre­fei­to do Rio, o de­mo­cra­ta Cé­sar Maia. Em sua newslet­ter (cha­ma­da de “ex-blog” e en­vi­a­da pa­ra mais de 30 mil pes­so­as), ele tam­bém iden­ti­fi­cou com cla­re­za es­sa tá­ti­ca de dar pri­o­ri­da­de ao pro­je­to Dil­ma, se pre­ci­sar, pas­san­do por ci­ma dos in­te­res­ses re­gi­o­nais do PT. Maia ain­da des­cre­veu o mo­vi­men­to por mais pa­lan­ques em ou­tros Es­ta­dos. No Rio Gran­de do Sul, o lan­ça­men­to da pré-can­di­da­tu­ra do mi­nis­tro Tar­so Gen­ro (Jus­ti­ça) se­gui­ria es­se mes­mo ra­ci­o­cí­nio, já que afron­ta de vez o PMDB do pre­fei­to de Por­to Ale­gre, Jo­sé Fo­ga­ça (que po­de pe­dir vo­tos pa­ra Dil­ma pa­ra se opor ao pa­lan­que do PSDB da go­ver­na­do­ra Ye­da Cru­si­us). Na Ba­hia, a mes­ma la­da­i­nha: o go­ver­na­dor Ja­ques Wag­ner (PT) é o can­di­da­to de Lu­la? Que na­da, o pe­tis­ta pai­ra so­bre as li­de­ran­ças re­gi­o­nais. O ad­ver­sá­rio de Wag­ner, nes­se ca­so, é o mi­nis­tro Ged­del Vi­ei­ra Li­ma (Ar­ti­cu­la­ção Na­ci­o­nal).

Ca­sos se­me­lhan­tes de­vem acon­te­cer em ou­tros Es­ta­dos. Em São Pau­lo, ber­ço do PT, co­men­ta-se que o par­ti­do não abri­rá mão da can­di­da­tu­ra pró­pria. Nas me­sas cir­cu­lam os no­mes de An­to­nio Pa­loc­ci, Alo­i­zio Mer­ca­dan­te e Mar­ta Su­plicy. Nos bas­ti­do­res, sa­be-se que Lu­la é sim­pá­ti­co a uma re­vi­ra­vol­ta, com o lan­ça­men­to de Ci­ro Go­mes (PPS). Em Mi­nas Ge­ra­is, há tam­bém a pos­si­bi­li­da­de de mais uma ca­be­ça­da en­tre mi­nis­tros — o pe­e­me­de­bis­ta Hé­lio Cos­ta (Co­mu­ni­ca­ções) e o pe­tis­ta Pa­trus Ana­ni­as (De­sen­vol­vi­men­to So­ci­al) que­rem a ca­dei­ra de Aé­cio Ne­ves. Por fo­ra, ain­da cor­re ou­tro pré-can­di­da­to do PT, o ex-pre­fei­to de Be­lo Ho­ri­zon­te, Fer­nan­do Pi­men­tel — ele ain­da con­ta­ria com o apoio do tu­ca­no. Ou se­ja, é o pre­nún­cio de mui­ta con­ver­sa acir­ra­da e até al­gu­mas bri­gas, mas, no­va­men­te, a idéia de dois ou mais pa­lan­ques po­de ser a me­lhor sa­í­da pa­ra o pro­je­to na­ci­o­nal. O im­por­tan­te é ca­pi­ta­li­zar vo­tos pa­ra a mi­nis­tra-can­di­da­ta.

Es­sa es­tra­té­gia tam­bém po­de se con­cre­ti­zar em Go­i­ás, se o go­ver­na­dor Al­ci­des Ro­dri­gues con­se­guir vi­a­bi­li­zar uma cha­pa se­pa­ra­da do can­di­da­to pre­fe­ren­ci­al de Lu­la, o pre­fei­to Iris Re­zen­de — co­mo já foi anun­ci­a­do pe­lo pró­prio pre­si­den­te do PT. É com es­sa ló­gi­ca que se en­ten­de as re­cen­tes de­cla­ra­ções da mai­o­ria da cú­pu­la do PP, ou se­ja, um cha­pão com o PMDB es­ta­ria fo­ra de co­gi­ta­ção. Nes­se ce­ná­rio de in­ves­ti­men­to em vi­as du­plas re­gi­o­nais, cres­cem as chan­ces de o pre­si­den­te do Ban­co Cen­tral, Hen­ri­que Mei­rel­les, to­par um pro­je­to elei­to­ral em Go­i­ás. Ao con­trá­rio do que se co­men­tou se­ma­nas atrás, ele po­de­ria ter o aval de Lu­la. O pro­ble­ma é que, em Go­i­ás, di­fe­ren­te­men­te de ou­tros Es­ta­dos nun­ca hou­ve ba­ses elei­to­ra­is pa­ra tan­tos pa­lan­ques. Uma dis­pu­ta en­tre Mar­co­ni Pe­ril­lo (um pa­lan­que tu­ca­no) e os dois pa­lan­ques lu­lis­tas (com Iris e Mei­rel­les), a tá­ti­ca po­de­ria re­sul­tar inó­cua. A não ser que, aqui, a tá­ti­ca lu­lis­ta te­nha acha­do uma no­va nu­an­ce: um pa­lan­que com um ape­lo mai­s po­pu­lar e o ou­tro com o ob­je­ti­vo de cap­tar o cha­ma­do vo­to con­sci­en­te. Tes­es e mais tes­es…

Alcides e Meirelles cada vez mais próximos

08/08/2009 por rafael

Sexta-feira, 7 de Agosto de 2009

Política
Alcides e Meirelles cada vez mais próximos
Samir Machado
Da Tribuna do Sudoeste

A tão falada aproximação e consequente filiação do presidente do Banco Central, o goiano Henrique Meirelles, no PP ou no PT, visando disputar o governo de Goiás, ou ainda para compor chapa como candidato a vice-presidente pelo PMDB, aos poucos vem se concretizando. Apesar das constantes esquivas quando se fala no assunto, o governador do Estado, Alcides Rodrigues (PP), disse que as reuniões com Meirelles estão se tornando constantes. “Eu tenho conversado pouco a respeito de política com o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, mas tenho me reunido com ele, com uma certa constância, porque ele está nos ajudando em algumas ações do governo do Estado perante o governo federal”, salientou Alcides durante sua rápida visita a Rio Verde, no último dia 5 de agosto, aniversário do município.

O governador disse que, na hora oportuna, Meirelles certamente vai manifestar o seu interesse de participar da política ou não e também a qual agremiação política ele vai se filiar. “O que eu tenho dito é que nós não deveremos ter ações políticas antecipadas. Não é bom para o Estado, não é bom para ninguém a antecipação do debate sucessório que é um tema bastante apaixonante. Eu acho que, na hora oportuna, nós deveremos entrar e entraremos, mas não antecipadamente”, alertou Alcides.

Sem citar nomes, o governador voltou no assunto da origem da dívida e não poupou as administrações anteriores. Ao ser questionado sobre a dívida da Celg, ele ressaltou o valor da pendência e alfinetou: “Todos sabem que a dívida da Celg é de R$ 5,6 bilhões e não foi feita neste governo. Diga-se de passagem, não foi uma dívida feita por nós. Esta equipe nunca tirou ‘meio centavo’ da Celg. Pelo contrário, mesmo sem ter, o tesouro estadual está injetando recursos consideráveis, de quase R$ 400 milhões, para tentar salvar essa empresa”, enfatizou.

O pepista lembrou que esteve, no último dia 4 com o ministro das Minas e Energia, Edson Lobão, e também com o presidente da Eletrobrás, José Antonio Muniz, e toda sua diretoria, a exemplo do que já fez anteriormente em outras reuniões, inclusive com o presidente Lula, para resolver definitivamente o problema da companhia. “A Celg é a maior empresa do Centro-Oeste brasileiro, é uma empresa importante, é fator de desenvolvimento dos municípios goianos. Por isso, tenho tido o trabalho constante de zelar pelo patrimônio da empresa. Estamos trabalhando com todas as nossas forças”, frisou.

Aniversário
Alcides Rodrigues foi a Rio Verde para acompanhar as comemorações de aniversário de 161 anos da cidade. Ele participou de um almoço, oferecido pelo prefeito Juraci Martins (DEM) e pelo presidente da Câmara Municipal, Elecir Casagrande (PP), no salão de eventos do Sindicato Rural. Em sua rápida visita, o governador destacou a importância do município para o Estado e para o Brasil e fez o anúncio de algumas obras e benefícios para a população local.

De acordo com o chefe do Executivo Estadual, Rio Verde é uma cidade que não é importante apenas para o Sudoeste Goiano ou para o Centro-Oeste brasileiro. Ela é importante para o Estado e para o Brasil. “É uma referência nacional. Primeiro, porque tem uma longa história de luta, de sucesso, de conquistas e glórias. É um importante município que tem quase dois séculos e que conta com um povo empreendedor. Vieram para cá pessoas oriundas de outros Estados e até de outros países para participar deste desenvolvimento”, enalteceu ele.

Alcides destacou que, justamente por isso, o governo do Estado se faz presente na data magna para o município: as comemorações pelos 161 anos de Rio Verde. “Viemos aqui não só para trazer o abraço, mas também estarmos aqui, firmes, presentes no seu desenvolvimento. Neste sentido, já anunciamos importantes obras e benefícios para a cidade”, salientou.

Alcides anunciou, durante discurso, que direcionou para a Subsecretaria Regional de Educação de Rio Verde instrumentos musicais, laboratórios de informática e veículos, entre outros benefícios para o setor. A respeito de uma antiga reivindicação dos moradores da região, o governador firmou o compromisso de continuar em ritmo acelerado a pavimentação asfáltica da GO-333, que liga Rio Verde a Paraúna. “Convido a todos para irem verificar a obra, que está em acelerado ritmo de execução. É um anseio de décadas e décadas e que nós vamos entregar brevemente para o povo de Rio Verde e para o Estado de Goiás”, garantiu.

O governador ainda assinou uma parceria com a prefeitura municipal para a execução de asfalto nos bairros, por meio do “Programa Asfalto nas Cidades”, o Paci, que vai este ano levar 12 milhões de metros quadrados de asfalto aos municípios goianos. Alcides anunciou ainda a construção de quatro colégios “Padrão Século XXI” em Rio Verde. “Já autorizei a execução da construção destas quatro unidades educacionais, além da reforma de colégios no distrito de Ouroana e outros que estão em andamento aqui na cidade de Rio Verde”, relatou.

Também com relação aos distritos, Alcides destacou que, atendendo a diversos pedidos feitos pelo vereador Casagrande, o governo estadual irá construir um ginásio de esportes na Lagoa do Bauzinho. “A prefeitura já comprou o terreno e nós vamos dar início a essa edificação”, adiantou. Por fim, o governador reforçou o compromisso de enviar recursos para que o Hospital do Câncer de Rio Verde possa ser ampliado e melhor equipado para poder atender bem não só a população rio-verdense, bem como toda a região e até mesmo de Estados vizinhos.

Presidente do diretório estadual do PT, Valdi Camarcio acredita que a a vinda do presidente Lula será importante para ajudar o PT no trabalho de unificação dos partidos…

08/08/2009 por rafael

Sábado, 8 de Agosto de 2009

Entrevista
‘Lula vai sinalizar que devemos ficar juntos’ Valdi Camarcio
Presidente do diretório estadual do PT, Valdi Camarcio acredita que a a vinda do presidente Lula  será importante para ajudar o PT no trabalho de unificação dos partidos que dão sustentação ao governo Lula em Goiás. Para ele, a vinda do presidente, trazendo obras e recursos, fortalece o projeto do PT em Goiás, que é, seja com candidato próprio ou não, vencer a eleição para o governo do estado em 2010 e dar apoio à candidatura da ministra Dilma Roussef à Presidência da República. Segundo Valdi, Lula respeita as articulações dos partidos nos estados e não haverá decisão de cima para baixo. O presidente do PT em Goiás disse que o partido reconhece a possibilidade do prefeito de Goiânia, Iris Rezende, e do presiudente do banco central, Henrique Meirelles, saírem candidatos, mas que, no momento, o trabalho é para que o deputado federal Rubens Otoni seja o nome em torno do qual a base possa se unificar. Valdi falou com exclusividade à Tribuna durante a palestra proferida pelo ex-ministro José Dirceu, na Assembléia Legislativa.

Bruno Hermano


Tribuna do Planalto - Qual a expectativa do Diretório estadual do PT em relação à vinda do presidente Lula?
Valdi Camarcio - Há uma expectativa extremamente positiva do ponto de vista de unificarmos ainda mais o trabalho dos partidos que dão sustentação ao presidente e a seu governo. Espero que a sua vinda nos ajude nesta tarefa de unificar. A presença do presidente, principalmente trazendo obras ao Estado, ajuda muito este nosso trabalho, que é um trabalho do partido. À medida  que o presidente traz obras e recursos, isso fortalece nosso projeto em Goiás.

Há uma expectativa tanto do PMDB quanto do PP de uma sinalização do presidente sobre as candidaturas desses partidos em 2010. Haverá essa sinalização?
Acredito que não. O presidente tem uma característica de respeitar muito as articulações em cada Estado.  Mesmo que ele tenha alguma preferência, e não acho que tenha, ele continua com o objetivo de tentar trabalhar o máximo possível com os partidos locais para que eles cheguem a uma definição. Não haverá decisão de cima para baixo. Eu acho que ele vai sinalizar que devemos ficar todos juntos.

O sr. acredita que o PMDB vai capitalizar esta visita do presidente?
Do ponto de vista administrativo, quando um presidente vem, quem é governo tem a sua prioridade em relação a articuladores políticos. Nós sabemos disso e estaremos presentes na mobilização sem esse receio de que o PMDB ou o PP tome conta. Aliás, queremos que eles estejam fortes porque achamos que precisamos estar juntos. Entendemos perfeitamente que os governos estadual e municipal terão mais acesso ao presidente nesta visita do que nós,  militantes e dirigentes partidários. Neste momento, o mais importante é a relação administrativa.

Como o sr. avalia a possibilidade de o PT assumir a Prefeitura de Goiânia em 2010?
Há essa possibilidade. Trabalhamos com o deputado federal Rubens Otoni para que ele seja o nome que unifique toda a base e saia candidato. Se ele sair candidato essa possibilidade está afastada. Mas ele não saindo, é lógico que a perspectiva de assumir a prefeitura existe. Mas, trabalhamos hoje é com essa unificação em torno do nosso nome. Respeitamos e sabemos da liderança do prefeito Iris Rezende e do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, reconhecemos a possibilidade de que saiam candidatos, mas entendemos que a gente ganha apoio e densidade eleitoral trabalhando, e nosso candidato trabalha e, por isso, estamos conf

Hello world!

27/07/2009 por rafael

Bem vindo ao Blog de Apoio Rede de Blogs Dilma. Esse e o primeiro Post. Sucesso!

Goiás está com Dilma


Blog Dilma 2010